La Damajuana

   La Damajuana (garrafão)




  Lembro-me da minha infância que minha avó mandava eu ​​e meu primo (os dois únicos meninos em casa) limpar as damajuanas com ela. Em casa havia vários para diferentes usos, mas alguns se destinavam exclusivamente à busca de vinho na vinícola perto de casa.

É que naquela época o vinho se vendia "solto" ou a granel como se costuma dizer, direto das vasilhas ou barricas para os garrafões, e eu ficava olhando como se enchiam e acima de tudo adorava ver aquela espuma roxa que ficava formado quando foi preenchido. A cena se multiplicava com todos que iam comprar um vinho assim na vinícola, já que bastava um garrafão para ter vinho na mesa todos os dias por pelo menos uma semana. O vinho no almoço e no jantar era tão importante quanto ter pão na mesa para comer.


Minha avó costumava nos dizer quando bebia sua primeira taça de vinho tinto, que era bom para abrir á apetite e digestivo. Mais tarde, a ciência descobriu que ele trazia outros benefícios reais para o corpo, mas, naquela época, as pessoas de então tinham suas crenças sobre as boas propriedades de consumir vinho nas refeições. Amém à presença cerimonial à mesa.

 Esse vinho que trazíamos em garrafões era passado em garrafas de vidro, previamente lavadas, e depois colocadas na geladeira para refrigerar para que ficasse fresco na hora das refeições. Em alguns lugares eles usaram jarras de vidro, plástico ou cerâmica. Com o tempo, surgiu um elemento que se tornou uma parte emblemática da mesa da Argentina - O Pinguinho (Pingüino)


Que era uma jarra de cerâmica em forma de pinguim que não conheço porque acabou sendo escolhida por todas as famílias de Mendoza, tornando-se um elemento tão característico da época quanto o próprio garrafão. Hoje existem até colecionadores de todo o mundo atrás desses tipos de jarras. Mas isso é uma outra história.



Claro, nem todas as casas tinham uma  vinícola nas proximidades. O vinho que ia ser consumido durante a semana tinha de ser comprado em garrafões embalados pelas mesmas adegas, que eram distribuídos em armazéns, quiosques (pequenas lojas que vendiam de tudo), existiam até vendedores ambulantes deste produto.





Qual é a Damajuana?

  É um utensílio de vidro em forma de recipiente esférico que serve para armazenar e transportar  líquidos. Eles podem ter diferentes capacidades que podem variar entre 5, 10 e 40 litros, ou até mais. Anteriormente, seu principal uso destinava-se a mover e armazenar vinho, licores, óleo ou água. Foram sempre forrados a vime ou esparto e com puxadores para os poderem movimentar facilmente. Uma particularidade foi molhar a camada vegetal externa para melhor manter a temperatura do líquido contido nela.

Na Inglaterra é chamado de "demijohn", na França "bonbonne" ou "dame-Jeanne", embora também seja conhecido como "damajuana"; na Itália é chamado de "damigiana" e "bottiglione"; na Alemanha, "korbflasche", "demijohn" e "glasballon"; em Portugal e no Brasil é o “garrafão” e na Espanha é mais conhecido como “garrafa”, no Chile chamam de “chuica”.

No passado algumas pequenas vinícolas quando não tinham mais espaço no seu interior, armazenavam os vinhos em “damajuanas” e as colocavam na parte externa da vinícola. 
Esses vinhos sofriam oxidações por causa das constantes mudanças de temperatura entre o dia e a noite, tornando o que chamamos de “vinhos rancios”.  (nao ruim) 
Esses vinhos continuam sendo produzidos, principalmente na Espanha. 


Como surgiu esse recipiente que se tornou tão popular na época em que o vinho era vendido "avulso" ou a granel para as residências?

São várias histórias espalhadas, algumas espalhadas na América e outras na Europa


O americano conta que na época o vinho era transportado em barricas e depois vendido à vontade para o consumidor. Era comum ver compradores com garrafas de diferentes tamanhos e formatos, até mesmo outros recipientes não tão tradicionais com os quais as pessoas iam comprar seu vinho. A esposa de um comerciante e vidraceiro chamada Doña Juana apareceu um dia para comprar seu vinho com esta vasilha, e as pessoas começaram a chamar a vasilha ou a garrafa de Doña Juana o Dama Juana. Foi assim que se popularizou até se tornar o nome do garrafão Damajuana.

Outra história contada como anedota é que no século XVI a Rainha Juana I de Nápoles fazia uma viagem e, ao passar pela aldeia de Grasse, teve que se refugiar na oficina de um vidraceiro por causa de uma chuva torrencial. O artesão ficou orgulhoso de observar o interesse da Rainha em seu processo de fabricação de garrafas. Tanto que o mestre resolveu inflar um de enormes proporções, talvez para se exibir ao soberano. O resultado foi esta garrafa e que em homenagem à Rainha ela decidiu batizá-la de "Rainha Juana", e que a rainha disse que era mais apropriado chamá-la de "Lady Juana" e não dar à garrafa o título de rainha. (algo assim a única rainha sou eu kkkkkkk)



Por outro lado, há uma outra história ou lenda que a associa ao século XVI onde os marinheiros do sul da França chamavam, de forma divertida ou zombeteira, Dame-Jeanne a garrafas grossas de 10 a 20 litros, comparando-as com mulheres com muito peso e com muitas curvas. Além disso, como tinham duas alças nas laterais, parecia uma senhora com as mãos na cintura.


Seja qual for a história real ou todas elas, a verdade é que era um elemento tradicional na agricultura e na vida do século passado. Tanto é que temos vários exemplares ao longo da história e ainda hoje continua a ser utilizado em várias partes do mundo.




Hoje pode ser encontrado como elemento decorativo, sozinho ou acompanhado de mais cópias, em espaços mais modernos ou em locais mais rústicos como uma sala de estar, um pátio ou um terraço. Hoje em dia são utilizados como vasos, lâmpadas ou simplesmente como elemento de armazenamento. É tão versátil e bonita que a Damajuana pode ser encontrada em qualquer lugar.

Até mais!

Saúde!

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