De pura cepa...
Olá caro leitor, não sei como você chegou aqui, mas deixe-me dizer que aqui você encontrará anos de experiências de vida no mundo do vinho, com sua cultura, principalmente na região de Cuyo, na província de Mendoza, Argentina.
Este blog nasceu num domingo, poucos dias antes de sair de casa para embarcar em um sonho em outras terras, outra língua, outra cultura, outro tudo ... ir para o Brasil.
Eu estava descansando baixo minha videira, no jardim de minha casa, em um dia de sol na bela primavera de Mendoza, no sopé da Cordilheira dos Andes, na cidade de Maipu ... enquanto via as videiras crescerem, e o os cachos passaram da floração ao grão. Lembrei-me de minhas viagens, e quão pouco se sabia em outros lugares sobre este mundo.
Nasci em Mendoza, eleita a Oitava Capital do Vinho. Desde pequeno fui preenchido por este mundo das vinhas. Meus parentes eram alguns empreiteiros (famílias que cuidavam e cuidavam de fazendas com vinhedos) e eu passava muito tempo com eles. Outros trabalharam em armazéns. Durante as férias escolares, levantava-me cedo com a minha avó, que cuidava de mim enquanto os meus pais trabalhavam, e ia com ela em camiões com dezenas de ceifeiros aos vinhedos para fazer a colheita cedo, antes do sol aparecer. Ele ajudou, junto com muitas outras crianças, a colher os cachos que ficavam nas fileiras, para que os mais velhos não tivessem que limpar as fileiras colhidas novamente quando os capatazes verificassem, que era a forma como eles controlavam se os colhedores tinham colheu bem as linhas.
Como mencionei, alguns parentes também trabalhavam em vinícolas, eu até perdi um primo em um acidente ocorrido em uma dessas vinícolas. Foram momentos em que as experiências vividas por cada um dos familiares foram partilhadas à mesa. Lembro-me que um dia o meu tio Manuel deu-me uma “ficha”, que era o pagamento que o capataz dava quando uma colhedora despejava um balde de uvas no camião da vindima. Este token foi então trocado por dinheiro normal de acordo com a taxa de câmbio acordada com o estado e as vinícolas. Esse símbolo foi um tesouro para mim. Minha esposa o encontrou recentemente entre muitas moedas antigas que tinha em uma gaveta.
Eu vivi esse mundo de muitas maneiras. Lembro que a vinícola Giol tinha um oleoduto que percorria muitos quarteirões. Da vinícola em Maipu à ferrovia em Gutierrez, mais ou menos um quilômetro. Na estação ferroviária General Gutierrez, os vagões-tanque foram abastecidos com vinho do oleoduto. Esses trens viajaram para Buenos Aires e depois levaram o vinho de navio para a Rússia. Às vezes, nesta tubulação, devido a golpes de pressão, os parafusos nos flanges de conexão dos tubos eram afrouxados. Por ali, o vinho começou a pingar e os vizinhos saíram com seus baldes, bacias, potes ou qualquer outro recipiente que tivessem em mãos, para a calçada e os colocaram sob aquelas goteiras para coletar o vinho.
Com o tempo, voltei ao mundo do vinho para comercializá-lo, levar este produto a diferentes partes do mundo, fruto da terra e do trabalho de milhares e milhares de pessoas e adegas da Região.
Espero poder transmitir essas experiências e até reunir o material que circula pelo mundo em outra língua para ficar todas as informações aqui, nessa língua que me recebeu com tanto carinho. Trazendo, de alguma forma, meu berço, Mendoza, terra do sol e bom vinho. Os seus vinhedos, as suas adegas e o mundo do vinho, muitas vezes não tão visíveis, mas repletos de histórias.
PS: Peço desculpas pelo meu portunhol 😀. Espero aprender mais sobre esse belo idioma todos os dias. Claro que aceito sugestões em minhas expressões para melhorá-las. Um abraço.
Raul Wines.




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